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Desde dezembro de 2014, uma nova planta industrial está em operação na
unidade Costa Pinto, em Piracicaba, no interior de São Paulo. Construída
como anexo da planta já existente, essa nova unidade produz etanol
celulósico, também chamado de etanol de segunda geração. [G4-13]
Inovação
Inovação
O
novo produto é obtido de resíduos da
produção do etanol convencional: o
bagaço gerado na moagem da cana-
de-açúcar e a palha descartada na colheita.
Diversas companhias ao redor do mundo
pesquisam e investem na produção comercial
do etanol celulósico, obtido dos açúcares da
celulose presente na estrutura da cana-de-
açúcar e nos demais materiais de biomassa.
A Raízen é uma das primeiras empresas do
mundo a chegar à etapa de produção inicial.
O etanol de segunda geração apresenta
ganhos em relação ao etanol convencional,
produzido a partir do caldo da moagem da
cana. Por utilizar como matéria-prima partes
da planta antes descartadas ou destinadas a
outros fins, como o bagaço usado para pro-
duzir energia, o novo processo possibilita au-
mentar a produtividade das lavouras de cana
sem a necessidade de aumentar a área plan-
tada. Em outras palavras, com a tecnologia
de segunda geração é possível produzir mais
etanol com menor custo agrícola. [EN27]
A Raízen investiu R$ 237 milhões na pes-
quisa tecnológica e na planta de etanol ce-
lulósico inaugurada no ano passado. Além
disso, associou-se à Iogen Energy, empresa
canadense de biotecnologia que já pesquisa-
va o processo produtivo do etanol celulósico
a partir da palha do milho.
Apesar dos ganhos na etapa agrícola, o
grande desafio para as empresas que querem
produzir o etanol de segunda geração é redu-
zir seus gastos na etapa industrial. Mesmo que
o novo combustível seja igual ao convencio-
nal e adequado aos mesmos usos, ele ainda
é mais caro para produzir, pois as tecnologias
utilizadas não atingiram o mesmo grau de ma-
turidade da tecnologia convencional.
Entre os fatores que contribuíram para a
viabilidade econômica do projeto está a siner-
gia entre a produção original e a de segunda
geração. A planta de etanol celulósico está
instalada ao lado da saída do bagaço resul-
tante da produção convencional na unidade
Costa Pinto, o que reduz os custos e os im-
pactos logísticos de coleta de matéria-prima.
[EN27, EN30]
O etanol de segunda geração é também
mais sustentável na medida em que aumenta
a produtividade por hectare plantado. O pro-
jeto da Raízen prevê que a produção conjunta
dos dois tipos de etanol resulte em um ganho
de até 40% com a planta operando em sua
capacidade total, quando produzirá 42 mi-
lhões de litros de etanol celulósico por ano.
Com a evolução da tecnologia, a companhia
projeta construir mais unidades semelhantes,
todas próximas as unidades convencionais
existentes. Nesse cenário, a Raízen espera
atingir capacidade máxima de produção de
mais de 1 bilhão de litros anuais de etanol de
segunda geração. [EN27]
A Raízen fez uma
parceria com a empresa
dinamarquesa Novozymes
para importar as enzimas
que “quebram” a celulose
da cana, liberando os
açúcares que serão
transformados em etanol.
Cerca de 500 empregos foram criados no pico da construção da planta de etanol de segunda
geração, em Piracicaba. A operação da unidade oferece 33 empregos diretos.